Descrição
Certos colecionadores veneram um verdadeiro culto a esta família de modelos que exprime melhor do que um longo discurso a Itália, os anos cinquenta, a despreocupação.
Uma marca com um passado tão rico que a Alfa Romeo, tão desportiva, não poderia senão ter sucesso na comercialização desta pequena viatura em versão coupé, cabriolet e berlina.
Para todos os gostos, quase para todos os bolsos, as Giulietta fizeram jus ao glorioso passado desta firma milanesa.
É curiosamente a França que está na origem da firma Alfa Romeo. Em 1909, a filial italiana da casa Darracq está à venda, e um grupo de industriais italianos interessa-se. Não para continuar a produzir estes carros cuja reputação já ultrapassou os Alpes, mas para produzir automóveis mais adequados ao mercado italiano em plena crise.
A L. F. A. é assim criada, significando Anonima Lombarda Fabrica Automobili, e que toma como emblema a Cruz Vermelha num fundo branco da cidade de Milão, e a Serpente de Visconti. Estes belos símbolos não vão trazer sorte à A. L. F. A no primeiro momento, pois a “fabrica” é posta à venda no outono de 1915. E é um certo engenheiro chamado Nicola Romeo quem se torna comprador da fábrica do Portello. Como se percebe logo que a verdadeira história da Alfa Romeo pode começar.
Logo no final da Grande Guerra, a Alfa Romeo faz-se ouvir nos cavalos, participando e vencendo numerosas corridas. Os primeiros piloto a brilhar nestes carros são Sivocci, Campari, Ramponi e Ferrari. Este último, um jovem iniciante chamado Enzo, terá um papel primordial na renome da Alfa, pois fará correr estes carros na sua já famosa Scuderia desde 1929. É de facto sobre capotas Alfa que os primeiros emblemas a cavalo alado apareceram.
Todos estes acontecimentos fazem com que o público assuma a Alfa Romeo como marca de corrida, de desporto e de triunfo. E não são os títulos de campeão do mundo de Fórmula 1 conquistados por Farina e Fangio em 1950 e 1951 que vão desmentir esta impressão de agressividade poderosa que se irradia das produções da marca com o trevo.
Com as Giulietta, a Alfa Romeo entra numa nova atividade: a produção em grande série.
A Alfa abandona a competição no final de 1951, coberta de louros, e como os técnicos da fábrica do Portello são impregnados de competição, não serão produtos banais e anónimos o fruto do seu trabalho. Em 1954 sai timidamente a Giulietta, cujo nome é uma homenagem a William Shakespeare e à tragédia que o inspirou.
A ambiguidade destes carros reside no facto de o nome Giulietta ter correspondido a uma motorização de 1300 cm³. Mais tarde, as Giulia terão um motor 1600.
Ainda assim, o uso quis que se chamasse Giulietta a estes carros, independentemente do motor que tivessem.
Poderíamos falar horas a fio apenas sobre os motores Alfa Romeo, escrever um livro sobre estas pequenas maravilhas de mecânica. Esta marca que se fez uma reputação mundial neste domínio mostrou de forma eminente o seu savoir-faire ao produzir, gerações de “grandes” seis e oito cilindros confidenciais. Mas, o mais surpreendente é que também se deu bem na elaboração deste muito bonito quatro cilindros em alumínio com dois comandos em cabeça (acionados por correntes), cuja finalidade era a produção de massas. Recordemos que as câmaras de combustão deste motor são hemisféricas e as velas são centrais.
Este motor, é acima de tudo um Alfa Romeo, da pura relojoaria brilhante e barulhenta, com um ruido de admissão soberbo, aquele ronronar sonoro e característico que se inicia quando o corpo do carburador se abre por completo.
Entregue novo em França, a nossa Giulia beneficiou de uma restauração completa “nut and bolt” nesta magnífica tonalidade Blue Celeste e as fotografias falam por si. Utilizada ocasionalmente em fins de semana soalheiros, é tempo agora de lhe arranjar uma nova casa.
Está pronto para a Dolce Vita?











